Turismo sustentável, ciência e comunicação em destaque no 2º dia do Fórum de Geoparques da CPLP

O segundo dia do I Fórum de Geoparques Mundiais da UNESCO da CPLP ficou marcado pela reflexão em torno do turismo sustentável, da valorização territorial e do papel da comunicação, da educação e da ciência nos geoparques, reunindo especialistas, representantes institucionais, empresários e gestores de territórios lusófonos na Biblioteca D. Domingos de Pinho Brandão, no Mosteiro de Arouca.

A sessão dedicada ao tema “Geoparques: Territórios de experiências turísticas sustentáveis e responsáveis” promoveu a partilha de boas práticas e exemplos concretos de desenvolvimento territorial assente na sustentabilidade.

Na abertura da sessão, João Portugal, do Turismo de Portugal, destacou o papel do turismo como motor de desenvolvimento económico e social dos territórios, sublinhando que os geoparques “são territórios onde a terra conta histórias e convida à ação”.

Antes do início da mesa-redonda, Alizandra Danzmann, coordenadora do Caçapava Geoparque Mundial da UNESCO, no Brasil, dirigiu algumas palavras aos participantes, destacando o orgulho em representar um território reconhecido pela UNESCO e reforçando a importância da cooperação e da partilha entre geoparques.

Entre os exemplos apresentados, Edinéia Pallú deu a conhecer a experiência do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul, no Brasil, destacando a criação da “Georrota”, principal produto turístico do território, desenvolvido em parceria com mais de 300 empresas locais.

Já Pedro Teixeira, da empresa Just Come, partilhou a experiência do Arouca Geoparque Mundial da UNESCO, defendendo que “há dois ingredientes essenciais: o território e as pessoas”. O empresário destacou a riqueza natural, cultural, gastronómica e geológica de Arouca e sublinhou o papel das comunidades locais, dos agentes turísticos e das entidades públicas na construção de experiências autênticas e transformadoras.

Também Domingos Pires, da NTN Consulting, apresentou a experiência desenvolvida no Terras de Cavaleiros Geoparque Mundial da UNESCO, defendendo que os projetos turísticos devem nascer da identidade dos territórios e das comunidades locais.

O programa integrou ainda a cerimónia de entrega de prémios aos vencedores do I Concurso de Fotografia dos Geoparques Mundiais da UNESCO da CPLP, iniciativa que procurou valorizar, através da imagem, a diversidade paisagística, geológica, cultural e humana dos territórios geoparque da comunidade lusófona.

Após a entrega dos prémios decorreu a inauguração da exposição com as fotografias vencedoras e selecionadas no âmbito do concurso. Durante a sessão, Daniela Rocha, coordenadora da Associação Geoparque Arouca (AGA), destacou a importância do Fórum enquanto plataforma de cooperação internacional e de valorização do património geológico, cultural e humano dos territórios envolvidos.

Os participantes tiveram ainda oportunidade de visitar o Mosteiro de Arouca e o Museu de Arte Sacra, numa visita guiada conduzida por Diogo Gomes, da Real Irmandade Rainha Santa Mafalda, e João Duarte, do Município de Arouca.

Durante a tarde decorreu o painel “Comunicação, Educação e Ciência em Geoparques”, moderado por Eduardo Rego, da Loving the Planet, que refletiu sobre os desafios contemporâneos da comunicação e da sensibilização ambiental.

Ao longo da sessão foi reforçada a importância dos geoparques enquanto plataformas privilegiadas para aproximar ciência, território e comunidades. Magda Fernandes, do Estrela Geoparque Mundial da UNESCO, destacou o papel da comunicação científica e da educação, alertando para os desafios relacionados com a desinformação e a necessidade de promover conhecimento acessível e crítico junto das comunidades.

Eduardo Guimarães, Diretor Executivo do Araripe Geoparque Mundial da UNESCO, no Brasil, recordou que os geoparques são estruturas profundamente ligadas às comunidades e destacou o impacto do reconhecimento UNESCO no desenvolvimento territorial, no investimento e na valorização institucional dos territórios.

Já Carla Jacinto, responsável pela comunicação do Naturtejo Geoparque Mundial da UNESCO, sublinhou a importância da comunicação enquanto ferramenta de gestão territorial e apresentou estratégias de renovação da identidade visual, sinalética e plataformas digitais do território.

Um dos momentos simbólicos do Fórum foi a passagem de testemunho à entidade anfitriã da próxima edição do encontro, o Quarta Colônia Geoparque Mundial da UNESCO, no Brasil, que acolherá o II Fórum de Geoparques Mundiais da UNESCO da CPLP, em 2028.

A cerimónia ficou marcada pela entrega de uma peça artesanal especialmente criada para assinalar este momento. Desenvolvida por artesãos locais, sob orientação de Sónia Silva, formadora do CEARTE, a peça foi inspirada na identidade do Arouca Geoparque Mundial da UNESCO, integrando elementos emblemáticos do território, como as trilobites, os Passadiços do Paiva, a ponte suspensa 516 Arouca e as Pedras Parideiras.

Durante a sessão foi ainda apresentado o “Compromisso de Arouca para os Geoparques Mundiais da UNESCO da CPLP”, documento que estabelece princípios de cooperação entre os territórios lusófonos no âmbito dos geoparques mundiais da UNESCO.

O compromisso assenta em oito princípios orientadores, entre os quais o apoio estruturado aos territórios aspirantes a geoparque, a promoção da capacitação técnica e científica, a partilha de boas práticas, o fortalecimento do turismo sustentável e a valorização do património geológico, natural e cultural.

Na sessão de encerramento, José Cancela Moura, Vice-Presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal, destacou a importância de conciliar preservação e desenvolvimento territorial. Rita Brasil de Brito, Secretária Executiva da Comissão Nacional da UNESCO, sublinhou a evolução da rede portuguesa de geoparques e a relevância da cooperação entre os países de língua portuguesa.

A Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém, encerrou os trabalhos reforçando o espírito de união construído ao longo do Fórum e apelando à continuidade da cooperação entre os territórios da CPLP na valorização do património e na construção de comunidades mais resilientes e preparadas para o futuro.

O I Fórum de Geoparques Mundiais da UNESCO da CPLP prossegue nos próximos dias com saídas de campo no território Arouca Geopark, proporcionando aos participantes o contacto direto com o património geológico, natural, cultural e com as boas práticas de desenvolvimento territorial implementadas no território.

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